Em breve, as decisões que nós tomaremos em relação a novas infraestruturas nas cidades não serão mais decisões tomadas pelos prefeitos, mas sim, pela sociedade civil através da gestão compartilhada.

Entrevista

A primeira crise

Para mim, foi a minha primeira crise, e eu tenho 15 anos de formada e 15 anos de atuação nessa área e, desde 2015, que a gente sente essa dificuldade enorme e fechamento de novos negócios, é muita insegurança.

Eu agradeço a crise porque hoje estou muito mais contente do que a gente está propondo. Eu tenho uma necessidade muito grande de transformar o mundo que me coube e eu acredito que fazendo esse trabalho de inteligência urbana eu posso estar e botar meu pé em mais lugares. Isso está me deixando muito mais feliz.

Eu penso muito no futuro. Eu acredito que sem demora as decisões que nós tomaremos com relação a novas infraestruturas, sobre o que nós faremos nas cidades, onde vai estar o próximo posto de saúde e onde vai ser a próxima conexão viária não sejam decisões tomadas pelos prefeitos e sim pela sociedade civil através de gestão compartilhada, tomada de decisão de forma compartilhada.

Tomada de Decisão

Só que para a gente poder organizar essa grande bagunça, essa grande dificuldade, a gente precisa de ferramentas didáticas, simples e que se atualizem de uma forma mais sistemática, que não demande um grande movimento cada vez que nós precisamos atualizar essa informação.

Tudo acontece na cidade

Tudo acontece na cidade e no Estado. É na cidade que tudo acontece. Então não quer dizer que o Estado ou o governador também não tem essa questão, mas acho que o prefeito é quem está mais perto das necessidades que nós temos enquanto desenvolvedores imobiliários.

Mas eu acho que nós vamos eleger prefeitos pela capacidade de fazer aquilo que a sociedade civil decidiu da forma mais rápida e mais sustentável possível. Eu Acredito nisso.

CidadePlena é uma plataforma de informações que tem cinco grandes passos a serem dados. Neste momento nós estamos tentando trabalhar em dois passos iniciais: um deles é a organização de informações, organização de bancos de dados públicos que se tem e a partir dessas informações gerar conhecimento calculando indicadores. Alguns indicadores que existem prontos ou indicadores que a gente também constrói em função da necessidade do local.

A partir dessas duas situações a gente começa a enxergar, algo semelhante aos exames médicos que a gente faz quando vai para o médico, como o colesterol, por exemplo. O médico então analisa ali quanto o seu colesterol ele olha o referencial e diz: tu estás acima ou abaixo.

É preciso dar um remédio para isso. Para que isso melhore ou tu terás que mudar seus hábitos de vida para que isso melhore. Então a parte inicial que a gente está trabalhando é o diagnóstico médico fazendo uma analogia com a medicina, para que depois a gente possa definir o que precisa ser feito em cinco anos, o que precisa ser feito em dez, em quinze, em 20, em 40 anos.

Por que as cidades não evoluem?

O que está errado no processo de desenvolvimento das cidades é que tudo é tratado como urgente. Quando a gente só tem tempo para o urgente não tem tempo pro importante. O importante é deixado sempre de lado e aí, aquilo que poderia ser mais barato e mais bem resolvido. Ele entra no buraco do urgente e aí fica caro, e aí tem que desapropriar e aí tem um monte de outras situações.

 

O que eu falei hoje de manhã é que a gente não pode esperar que o prefeito que vai sair dali a quatro ou oito anos, que o grupo vai sair da gestão, consiga pensar no longo prazo porque o modelo é feito pra 4 anos. Quem tem que pensar no médio e longo prazo é quem vai estar aí pelos próximos quatro, nos próximos oito anos, que são os empresários, que a população e tudo mais.

Então o CidadePlena nada mais é do que uma organização de informações de forma digital, que todo mundo tem acesso, que provoque transparência nessas informações ou seja, isso está para mim engenheira, como está para outra pessoa que trabalha comigo, como está para o estudante da academia que precisa de uma informação segura para poder fazer muitos trabalhos. Quantos trabalhos de conclusão de curso bacanas que poderiam ser aproveitados, mas que ficam engavetados, que ficam por aí porque a gente não confia nos dados, porque fica muito acadêmico enfim.

Então a ideia é provocar uma onda onde todo mundo puxe isso para o mesmo lado, que seja feito força para a indução acontecer numa mesma direção.

Indicadores Urbanos

São indicadores de algumas naturezas que a gente está trabalhando. Nós temos âmbitos. Mas não é setorizar. Porque tem muita gente que gosta de setorizar e essa setorização é perigosíssima porque perde-se o contexto de cidade complexa.

Ela fragmenta que nem quando vai ao médico, mais uma vez fazendo analogia com a medicina, e tu diz assim: eu tenho dor de cabeça e o médico vai abrir tua cabeça, vai fazer exame na cabeça e vai olhar só sobre a cabeça. Não. Ele tem que olhar o fígado. Ele tem que olhar se não está com algum distúrbio intestinal.

O corpo humano é um sistema complexo e a cidade assim também.

A cidade é como o corpo humano

A gente tem indicadores de várias naturezas, e eles analisam por exemplo a coesão social que é o quanto a cidade está fragmentada em termos de, prá lá são os pobres, prá cá são os ricos, onde a gente tem população com mais baixa escolaridade, ou com baixo atendimento de saúde. Aonde estão as pessoas que mais usam o posto de saúde num determinado local, então tem questões de população.

Têm questões relacionadas a compacidade que é uma palavra bem técnica que tem a ver com o quanto a cidade é compacta, o quanto a cidade é verticalizada. E aí entram questões de densidade, quanto as pessoas estão concentradas. Tem aspectos relacionados ao uso do solo, e o que é o uso do solo: pra que atividade aquele solo está sendo usado.

O caminho para cidades melhores

A gente precisa induzir as cidades a serem mais mistas e menos monofuncionais que é a cidade industrial por um lado a cidade residencial para outro enfim.

 

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